A ousadia contém génio, poder e magia em si mesma."
Goethe
Com olhos felinos, sigo para mais um dia que nasce
Foi-me dado sem pedir
Um tempo, um espaço que é só meu
Procuro até descobrir
Danço com os obstáculos, sorrio para as tristezas
Luto no “palco” com o poder que me foi dado
Canto o amor com energia
Afio as minhas garras, cravo a cintura da vida
Recuso-me a sobreviver, quero viver!
Tudo acontece depressa
Não quero perder nenhum momento
Quero ganhar, não sei perder
Vou viver intensamente a riqueza do meu ser
Percorro as avenidas da cidade
Vou dançar, cantar, tocar, saltar
Até o dia nascer
Corro atrás do amanhã
O fascínio do incerto é uma curiosidade que quero ver
Não te cansas de ser tu?
Não te cansas de viver uma vida de fantasia?
Não te cansas de terminar a noite só?
Não te cansas de olhar ao espelho e ver uma alma vazia?
Não te cansas de mentir?
Não te cansas de fugir?
Não te cansas de viver uma vida que não é a tua?
Não te cansas de ter medo?
Não te cansas de fingir o que não és?
Não fujas do que na realidade és.
Não fujas de ti.
Não fujas de mim.
Tenho saudades de ti....mas de ti....
Caminho pelas ruas estreitas da cidade, sem rumo, sem direcção. Os saltos prendem-se nas pedras da calçada como eu a ti. Penso na vida. Penso em ti. Penso porque penso em ti. Penso no sentido de tudo isto. Será que tem? Não sei, mas acredito que sim. Nada é ao acaso...
´Nunca sabemos para onde vamos. Nunca sabemos até onde podemos chegar, nunca conhecemos os nossos passos, mesmo quando pensamos que escolhemos os melhores caminhos.
Tu vens e vais como um pássaro, voas como quem anda, ficas como quem mora e, quando partes, nunca dizes ...adeus. Penso sempre que é a última vez, mas depois há uma força que te faz voltar, e a cada regresso trazes-me mais conforto, mais paz, mais sabedoria.
O que te faz voar até mim é um mistério que o mundo não consegue resolver.´
Se alguma vez te parecer
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente
By Jorge Palma


